A política pernambucana ganhou mais um capítulo de tensão neste fim de semana com a circulação de cartazes anônimos contra a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra. Um deles traz a frase “Ela matou o marido para ganhar a eleição”, enquanto outro associa a governadora a figuras condenadas por crimes contra os próprios maridos.
A repercussão foi imediata. Raquel acionou as polícias Federal e Civil e pediu respeito à sua família. João Campos, por sua vez, também repudiou o conteúdo e afirmou que qualquer tentativa de atribuir os cartazes à sua campanha será levada à Justiça.
Mas, diante do atual cenário político, uma pergunta inevitavelmente surge: quem realmente produziu e espalhou os cartazes?
Até o momento, não existe identificação pública dos responsáveis. E é justamente essa ausência de autoria que abre espaço para diferentes linhas de investigação.
Uma delas — que precisa ser comprovada ou descartada pelas autoridades — é a possibilidade de que o material tenha sido produzido por alguém interessado não apenas em atacar Raquel, mas também em criar uma narrativa de vitimização da governadora.
A hipótese pode parecer contraditória, mas não é impossível de ser investigada: em uma disputa eleitoral marcada por acusações de “gabinetes do ódio”, um ataque pessoal de extrema gravidade contra Raquel poderia provocar uma reação de solidariedade, mudar o assunto do debate político e deslocar o foco para os ataques sofridos pela governadora.
E o momento chama atenção.
Os cartazes surgem poucos dias depois de uma denúncia envolvendo a possível existência de uma estrutura destinada a atacar João Campos nas redes sociais. O caso envolve o ex-servidor estadual Amisadai Andrade, que foi exonerado após aparecer em reportagem fazendo declarações sobre uma suposta operação para atingir politicamente João. Raquel nega envolvimento e afirma que é necessário apresentar provas.
Além disso, a própria disputa passou a ser marcada por acusações cruzadas sobre estruturas digitais destinadas a prejudicar os adversários. O TRE-PE, inclusive, determinou a retirada de conteúdos que apresentavam como fatos comprovados suspeitas relacionadas ao suposto “gabinete do ódio”, destacando que não havia comprovação definitiva sobre a participação da governadora.
Por isso, talvez a pergunta mais importante neste momento não seja apenas quem se beneficiaria com o ataque a Raquel, mas quem teria interesse em colocar João Campos na condição de principal suspeito.
Se a investigação descobrir que os cartazes foram produzidos por pessoas ligadas a João, a oposição terá um poderoso argumento político contra o candidato. Se, ao contrário, surgir qualquer evidência de que o material foi produzido por adversários de João com o objetivo de incriminá-lo politicamente ou gerar uma onda de solidariedade em torno de Raquel, estaremos diante de um episódio ainda mais grave.
Por enquanto, não há prova pública de nenhuma dessas hipóteses.
O que existe é um fato: cartazes anônimos foram espalhados, João Campos repudiou o conteúdo, Raquel acionou as autoridades e a autoria ainda precisa ser descoberta.







