O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um procedimento oficial para investigar fortes indícios de superfaturamento de preços e direcionamento ilícito em um certame promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Salgueiro.
A apuração, formalizada pelo promotor Otávio Machado de Alencar, mira um contrato com valor estimado em R$ 4.434.926,15 para a realização da 17ª edição do Salgueiro Moto Fest, ocorrida em maio deste ano.
A Promotoria de Justiça apura se houve favorecimento político e conflito de interesses na escolha da empresa Yedilton Produções & Eventos Ltda., suspeita de possuir ligações diretas com o secretário municipal, José Henrique de Lima Leal Sampaio Angelim.
O foco da auditoria recai sobre o expressivo montante de R$ 4,43 milhões e um grave descompasso temporal identificado no processo licitatório. De acordo com os autos, a disputa oficial ocorreu no dia 13 de maio de 2026, enquanto as festividades começaram logo no dia seguinte, 14 de maio.
O curto espaço de tempo levanta a suspeita de que a montagem da estrutura e os valores já estariam previamente ajustados com a empresa escolhida antes mesmo da conclusão do certame. O festival contou com grande volume de recursos públicos articulados pela Prefeitura de Salgueiro e pelo Governo do Estado — repassados via Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco e Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) — para custear shows de apelo nacional, como o do cantor Toni Garrido.
O MPPE agora realiza perícias contábeis para confrontar o valor das notas fiscais emitidas com a tabela de preços médios de mercado praticada no período.
Contraponto da defesa
Por meio de manifestações preliminares, a organização do festival e as secretarias envolvidas negam qualquer prática de superfaturamento ou direcionamento ilícito.
A justificativa técnica apresentada sustenta que o município se valeu de uma Ata de Registro de Preços herdada do ano anterior (2025). Além disso, argumentam que o orçamento de R$ 4,4 milhões reflete a realidade financeira pós-inflação do setor de entretenimento e a natural valorização dos cachês de artistas nacionais.







