O que poderia ser utilizado como uma narrativa de vitimização e como tentativa de atribuir à campanha de João Campos a responsabilidade pela produção e divulgação de um panfleto apócrifo acabou tomando outro rumo na Justiça Eleitoral.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) rejeitou o pedido liminar apresentado por Rodrigo Ambrósio e Fillipe Vilar, responsáveis pelo Bastidor.PE, que buscavam suspender as diligências destinadas justamente a esclarecer a origem da fotografia relacionada ao material.
A defesa também tentou obter proteção contra possíveis medidas de busca e apreensão e um salvo-conduto para evitar eventuais atos coercitivos. O pedido, porém, foi negado pelo desembargador Washington Amorim.
Com isso, a investigação continua. E o ponto mais importante é que, até agora, não houve decisão judicial apontando a campanha de João Campos como responsável pelo material. Ao contrário, a Justiça manteve as diligências para descobrir de onde veio a fotografia, quem a produziu, como ela foi recebida e em quais circunstâncias acabou sendo divulgada.
A narrativa pode ter virado contra os próprios autores
A decisão também enfraquece qualquer tentativa de transformar o episódio, antecipadamente, em uma história de perseguição política ou de ataque à liberdade de imprensa.
O TRE-PE reconheceu que jornalistas possuem proteção constitucional quanto ao sigilo da fonte, mas deixou claro que essa garantia não significa imunidade para eventuais atos próprios que estejam sendo investigados.
Ou seja: a discussão agora não é simplesmente sobre quem divulgou a informação, mas sobre a origem do material, seus registros, metadados e as circunstâncias que envolveram sua produção, recebimento e publicação.
A Polícia Federal poderá, caso entenda necessário, representar por medidas específicas, que dependerão de autorização judicial.
Enquanto isso, permanece uma pergunta que a investigação pretende responder: quem realmente produziu e colocou em circulação o material que acabou sendo utilizado politicamente durante a campanha?
A tentativa de construir uma narrativa antes da conclusão das apurações, portanto, pode ter produzido justamente o efeito contrário. Em vez de encerrar o episódio com uma acusação contra adversários políticos, a decisão do TRE-PE mantém aberta a investigação para descobrir a origem dos fatos.
O mérito do habeas corpus ainda será analisado, mas, por enquanto, a Justiça Eleitoral não comprou a tese de suspensão das diligências. A apuração segue — e agora caberá à investigação esclarecer quem está por trás do material.

